domingo, 20 de setembro de 2015

Ato I: A Reconquista VI

“A cultura de cremar os mortos vem dos ensinamentos de Fleara. Como sabemos, existe um mundo sobreposto ao nosso, onde os espíritos dos mortos vagam e vigiam o mundo físico, até que, em alguns casos, possam reencarnar. A religião da Dama Vermelha é baseada no conceito de que o fogo é o caminho para a renovação. Você queima o corpo para que a alma parta o outro lado sem ligações com o mundo físico, evitando que assombre o nosso mundo como fantasmas e aparições.
Mesmo as outras religiões não costumam contrariar esta crença. Existem algumas ordens, no entanto, que enterram e as vezes até mumificam seus mortos, mas é algo muito raro. A maioria, quando quer homenagear um ente morto, o faz através de pinturas ou esculturas, não hesitando em queimar o cadáver para livrar a alma de todo o peso que carregara enquanto vivia. ”
- Trevor McNevan, em “”Costumes da Ilha”.

Capítulo 6

- Bom trabalho! – Bradou Amgram passando pelos degraus até chegar nas ameias onde o grupo assistira à batalha nas ruas da cidade.
- Não foi tão simples assim. – Comentou Arannis.
- Mas foi um grande feito! Vocês conseguiram se infiltrar no meio de tantos orcs para organizar nosso ataque, todo mundo chegou vivo. Muito bom, muito bom.
- É, mais ou menos... – Murmurou Arthur.
- E agora, o que podemos fazer? – Perguntou Gwen.
- Podem ir descansar, deixe o resto conosco. – Sugeriu o anão já dando as costas para voltar aos afazeres.
- Não tem mais nada para ser feito agora? – Shaisys perguntou.
- Estamos apenas juntando os cadáveres.
- Eu posso ajudar? – Alanna se ofereceu.
- Claro, vá até os soldados na praça que eles vão lhe instruir. – Explicou o anão apontando na direção da praça antes de descer a escadaria para as ruas.
- Bom, vamos descansar então. – Comentou Arthur enquanto seguia o anão, já notando o eladrin alguns passos à sua frente.
O grupo seguiu para o casarão onde passaram os últimos dias. As exceções foram Gwen, que ficou por perto procurando por flechas que pudesse reaproveitar, e Alanna, que fora ajudar a carregar os corpos para queimá-los posteriormente, acompanhada por Foostus. Haviam vários soldados trabalhando na questão e o número de cadáveres era grande, mas eram todos orcs. Aparentemente os Silverhawks não tiveram nenhuma baixa.

...

Arannis havia sido o primeiro a chegar até o casarão e se apressara em seguir para o quarto onde passara a maior parte de sua estadia na cidade, o único que tinha uma cama ainda em condições de uso. Ele retirou sua armadura e boa parte das vestes para que secassem, enquanto se ajeitava para o merecido descanso.
Arthur ocupou o quarto ao lado, enquanto nos dois quartos do lado oposto estavam Shaisys e depois Gwen. Estes três, sem cama, tiveram que usar seus sacos de dormir, depois de tentar se livrar como dava da água acumulada nas roupas e nos itens da mochila de cada um. Malaggar, introspectivo como sempre, havia se isolado num dos quartos de empregados.
Voltando ao casarão depois de uma hora de trabalho, Alanna aproveitou para se lavar sob a chuva e acabou achando seu lugar na sala de jantar. Retirou sua armadura e as roupas molhadas, trocando por uma muda de roupa mais ou menos seca que trazia na mochila. Estendeu o saco de dormir em cima longa mesa de madeira e ali passou a noite.

...

- Você é um inútil. – A voz habitual ecoava na mente do patrulheiro.
- Isso está ficando insuportável! – Protestou Arthur.
- É uma pena que eu não possa deixar este corpo maldito. Você mal sabe se defender, balançando esses machados a esmo e torcendo para que acerte em alguma coisa. Isso é uma vergonha! – Falou com ultraje sua hospede.
- E o que você sugere então? É assim que eu aprendi desde sempre.
- Falta motivação e disciplina para fazer as coisas direito. Talvez eu possa lhe colocar algumas coisas na cabeça. – Ponderou a voz feminina.
- Me ensinar? É mesmo possível? – Questionou o humano.
- Talvez. Posso lhe dar motivos para lutar de verdade, ensinar a ser útil e a conseguir preservar este corpo, já que eu preciso dele. Mas não vai ser fácil, imagino.
- Quando você quiser. Se isto for me tornar mais forte...
- Pois bem, começamos pela manhã. Já supervisionei o treinamento de muitas pessoas, acredito que dá para transformar você em algo pelo menos útil.
- O jeitinho de sempre... – Reclamou Arthur, já percebendo estar sozinho.

...

No quarto ao lado, Arannis escutava o patrulheiro conversar sozinho e ficava ainda mais preocupado. Pensava que ele deveria ser louco e isso tirava toda sua tranquilidade. Será que poderia confiar nele quando precisasse? Será que ele não traria problemas ao grupo no futuro? Inquieto e pensativo, o eladrin voltava ao seu transe tradicional. Primeiro recuperaria suas forças, depois pensaria no que fazer com o companheiro estranho.

...

Na manhã seguinte, todos se encaminhavam para a grande tenda no centro do acampamento levantado na praça da cidade, onde Lizbeth e a cadeia de comando dos Silverhawks estavam. Scott Raynor, Amgram e Elran estavam por lá aguardando a todos. Ao entrarem no recinto, foram recebidos com cumprimentos e congratulações pelos presentes, todos visivelmente cansados mas aliviados pela vitória.
- Bom dia a todos, sou muito grato pelo que vocês fizeram. – Sorriu Scott.
- Foi uma tarefa difícil e mesmo assim se saíram bem. Foi uma decisão acertada juntar vocês. – Lizbeth concluiu.
- Missão dada é missão cumprida. – Arthur se gabou atraindo os olhares do grupo.
- Pois bem, a parte de vocês. – Elran empurrou um saco de moedas para cada um dos membros do grupo. – Duzentas peças de ouro. – Concluiu arrancando sorrisos de todos.
- E o que vai ser daqui para frente? – O grupo quis saber.
- Temos um novo contrato. – Sorriu a general.
- Agora vocês serão a nossa defesa aqui na cidade. Vamos reconstruir a cidade e melhorar suas defesas. Os Silverhawks ficaram aqui por muito tempo trabalhando nessa tarefa. – Explicou o nobre humano.
- Exatamente. Mas também sabemos que há algumas coisas para resolverem. Portanto, amanhã cedinho vocês partirão para Travisen acompanhando o senhor Raynor com alguns outros guarda-costas. – Começou a falar Amgram.
- Ótimo, precisamos buscar as crianças. – Se animou Alanna.
- Sim, nós sabemos. – Comentou a pirata. – Você, no entanto, fica aqui. Vai ser útil. – Apontando para Foostus, que gesticulou positivamente.
- Vocês vão me acompanhar até Travisen, onde vou resolver algumas questões. Então voltaremos para cá. – Completou o nobre.
- E os suprimentos para o exército? – Perguntou o grupo.
- Estão a caminho. Agora podem ir. Descansem neste dia que ainda temos muito trabalho pela frente. – Se despediu o elfo.

...

Guiado por sua segunda mente, Arthur foi até a floresta nos arredores da cidade. Passou algumas horas colhendo várias plantas com certo receio. Boa parte daquelas ervas só tinham uso para pessoas mal-intencionadas, sendo ingredientes de poderosos venenos e outros tipos de drogas devastadoras. Mesmo assim ele seguiu tudo à risca.
Depois da colheita, voltou ao casarão, onde juntou algumas das ervas numa mistura muito estranha, já vendo seu corpo ser controlado pela entidade que ele conhecia como Celi. Ela ingeriu o líquido nojento e desfez o controle do corpo. A bebida queimava suas entranhas e uma dor avassaladora tomou conta de todo seu sistema nervoso. Seus músculos queimavam e sua cabeça parecia prestes a explodir. Todos viram o que acontecia, mas ninguém fez nada enquanto o patrulheiro se contorcia de dor no mato à frente do casarão.
- Você quer me matar? – Ele perguntava à entidade com grande dificuldade.
- É o treinamento. Você aguenta. – A voz surgia em sua mente com um tom casual.

...

O dia seguiu sem grandes incidentes. Malaggar havia feito um templo provisório a Emnos numa pequena caverna oculta que encontrou do lado de fora da muralha. Arannis havia consertado a lareira do casarão, que ficava na sala de jantar, contando com uma ajuda de Alanna para limpar a sujeira. Shaisys passava o tempo descansando no casarão, sem nenhuma tarefa específica. Gwen passara a tarde caçando com a meio-elfa, trazendo um grande javali para a janta, enquanto Arthur descansou pelo resto do dia.
O jantar foi preparado pela elfa e contou com a presença de Scott, que voltara ao casarão em que vivera quando criança. A seeker havia preservado partes do suíno para uso posterior, mas o que havia usado para a refeição reanimou a todos, acostumados a comer só ração de viagem nos últimos dias. Todos comeram até não conseguir mais e foram descansar com o espírito renovado, esperando pela viagem seguinte.

...

Na manhã seguinte o grupo se juntou a Scott e partiu para um dos portões da cidade. Lá eles encontraram mais quatro membros da guilda que os acompanhariam. Elros era um meio-elfo, tinha os cabelos ruivos longos, barba rala e olhos azuis. Trajava uma armadura de escamas e pendurados na cintura carregava um martelo de guerra e dois pequenos martelos de arremesso, além de um escudo grande e redondo de metal nas costas. O gnomo amigo de Arthur, Erben, era o segundo membro deste grupo. Ele falava sem parar, como sempre. Seu robe prata agora estava bem surrado e sujo, mas seus olhos continuavam curiosos e brilhavam com interesse sobre cada fato novo que surgia. Ele parecia bastante empolgado enquanto Arannis cochichava com ele sobre as estranhezas de seu amigo patrulheiro.
As outras eram Kathria e Yaren. A primeira era uma anã, vestia uma brunea com um escudo quadrado nas costas e um martelo na cintura. Seu cabelo era escuro, assim como seus olhos. A segunda era uma humana de cabelo louro acinzentado, olhos verdes e pele bem clara. Ela não vestia nenhuma proteção, apenas tecido, e trazia nas costas uma espada montante que chamava bastante atenção pelo tamanho. Ambas tinham o vermelho como cor predominante de suas vestes, apesar de também trazer o tom prata da guilda. Malaggar logo as identificou como sacerdotisas.

...

Numa das noites ao relento, quando todos se deitavam em torno de uma fogueira para descansar da marcha exaustiva, Malaggar e Arannis notavam que Arthur, pouco depois de se deitar, se levantava novamente. De olhos fechados, ele se afastava da roda de aliados por alguns passos e iniciava algumas sequências de movimentos lentos e curtos, repetindo por horas a fio. Nenhum dos dois pensou em intervir, mas ambos prestaram atenção, desconfiados. A atividade seguiu até próximo do surgimento do sol, quando ele se deitou por poucos minutos, até despertar como se nada tivesse acontecido.

...

Cinco dias se passaram até que o grupo chegasse no posto avançado na nascente do rio Baixo. Ali algumas tendas serviam como depósito para suprimentos e alguns funcionários do duque de Travisen trabalhavam com urgência para carregar algumas carroças postadas para leva-los até Scottner. Eles ouviram que a cavalaria combinada de Travisen e Markham estariam chegando em breve para escoltar um comboio que reabasteceria o exército na cidade retomada. O grupo logo partia para um barco onde desceriam pelo rio, mas antes Malaggar e Arannis se reuniram longe dos outros.
- Você viu o que está acontecendo com o Arthur, né? – Indagou o drow.
- Vi. Ele está louco. – O eladrin ponderou.
- Acho que são aquelas coisas que ele anda tomando, não? – O vingador insistiu, sabendo que aquilo parecia algo muito ruim para qualquer ordem.
- Talvez.
- Temos que tirar as ervas dele.
- Eu te dou cobertura então. – Ofereceu o eladrin.
- Certo. Quando tivermos oportunidade eu vou tentar tirar as ervas e sumir com elas. – Concluiu o drow. As misturas e o comportamento oriundo delas, tudo lembrava demais o processo de aprendizado que tivera. Ficava se perguntando como o patrulheiro tinha acesso a esse tipo de conhecimento.

...

Da nascente do rio Baixo até o porto de Travisen foram três dias. O comportamento estranho de Arthur continuava enquanto seus companheiros o vigiavam. O nobre e os outros companheiros temporários pouco se envolviam, preferindo a tranquilidade. Exceto por Erben, que falava com todos e o tempo todo. Durante o dia ele passava a maior parte do tempo debatendo ideias e teorias com o patrulheiro. Alanna e Arannis estavam ansiosos para reencontrar as crianças, enquanto os outros procuravam passar o tempo com qualquer distração que surgisse.

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Assim que chegaram ao porto, o grupo todo se separou sem uma única palavra, nem entre si, nem com Scott ou os outros quatro. Malaggar foi direto procurar por um bordel onde pudesse relaxar e desfrutar do tempo livre. Alanna, Arthur, Gwen e Shaisys foram para o mercado público da cidade afim de comprar novos suprimentos. Ali demoraram algum tempo até que tivessem tudo que queriam. Arannis foi direto para a Lula Cantante, fazendo apenas uma pequena parada numa barraca de doces para levar aos gêmeos.
Na taverna ele questionou ao dono sobre as crianças, que indicou o quarto onde estavam hospedados. O eladrin subiu as escadarias e encontrou a serva responsável por cuidar de ambos. As crianças estavam brincando numa das camas quando viram o bladesinger e foram cumprimenta-lo de maneira animada. A mulher explicou que trouxera as crianças conforme pediram para a taverna e que cuidou deles todos esses dias com bastante cuidado. Alanna chegou em seguida e eles deram algumas moedas de ouro pelo trabalho, além de se informar sobre seu paradeiro caso precisassem dela novamente.
Arannis levou o garoto para treinar, enquanto Alanna saiu com a garota até o porto, onde procurou saber de Scott, sem sucesso. Arthur foi até o cassino de antes e disputou algumas partidas de Dicepoker. Dessa vez, pelo menos, ele não perdeu nada. Saiu de lá depois de algumas rodadas mais relaxado. Enquanto isso, Gwen e Shaisys bebiam na taverna fixadas num debate sobre o futuro das crianças. A elfa torcia para que se livrassem delas, enquanto a halfling tinha curiosidade de saber mais sobre elas.

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No horário de almoço o grupo todo estava na Lula Cantante novamente. Malaggar estava isolado de novo. Todos comeram com tranquilidade enquanto ponderavam sobre os próximos passos. Ninguém havia visto Scott nem os outros quatro depois que se separaram, mas bastava qualquer distração simples para que se esquecessem das preocupações. Houve uma rápida conversa sobre o estado de Arthur, que assegurou estar bem.

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Depois do almoço Celi agiu novamente. Ela foi até um ferreiro anão no mercado público e observou algumas armaduras. Não demorou muito para que comprasse uma armadura de placas e um escudo grande com seu dinheiro, fazendo com que Arthur os carregasse. Arannis havia saído com o garoto para comprar suprimentos e uma espada sem fio para ele, então eles encontraram o patrulheiro. O garoto, tendo ouvido as conversas sobre a sanidade dele, o encarava curioso. Quando o humano gesticulou de maneira desafiadora para o garoto, que sacou sua espada de madeira, ele foi repreendido.
- Deixe-o em paz, agora! – Esbravejou Celi.
Arthur ficou sem ação encarando o guri, enquanto o eladrin encarava com desconfiança. Então ele juntou o pacote e partiu para a taverna, deixando os dois em paz, enquanto Alanna e a garota assistiam à cena de longe. De volta à taverna, Celi voltou a preparar mais uma dose com as ervas e ele sentiu um grande cansaço mental, acompanhado de uma dor de cabeça terrível. Ele resolveu passar o resto do dia deitado, descansando e só desceria para taverna na hora da janta.

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Gwen fora para a biblioteca afim de estudar mais sobre a língua antiga e lá passou toda a tarde, aproveitando a oportunidade para comprar um livro de estudos para que continuasse pesquisando mesmo longe da cidade. Arannis havia reposto seus suprimentos e a pedido de Alanna havia pesquisado sobre a possibilidade de levar cavalos nos barcos, negada pelos marinheiros. A própria meio-elfa ficou com as crianças num quarto na Lula Cantante enquanto o eladrin ia até a biblioteca para uma pesquisa infrutífera. Malaggar também fizera compras para reabastecer seus suprimentos e passara o restante da tarde concentrado no quarto que deixara reservado no bordel. Shaisys ficou na taverna acompanhando o movimento e bebericando uma caneca de cerveja.
Quando a noite caiu, todos estavam de volta à taverna, onde partilharam um banquete. Exceto por Malaggar, é claro. O patrulheiro terminou de comer sua parte o mais rápido que pôde e subiu para o quarto que alugara para poder descansar. Depois disso, o bladesinger e o drow expuseram todas as esquisitices de Arthur, especulando sobre o que acontecia. Várias teorias surgiram, principalmente sobre possessão demoníaca, e o grupo mostrava grande preocupação com o companheiro enquanto as crianças assistiam curiosas ao enclave. Ao final do debate, todos subiram para seus respectivos quartos para repousar.

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Malaggar, depois que deixara a taverna, voltara até o bordel. Ali ele conseguiria se comunicar com outros membros dos Mestres dos Sussurros. Havia um quarto específico onde ele poderia enviar relatórios das aventuras que vinha tendo. Já tinha passado por lá quando o grupo chegou na cidade pela primeira vez e agora resolveu que era hora de enviar novas informações. O quarto parecia comum, mas num fundo falso de uma gaveta numa das cômodas ele encontrou papel e tinta.
Escreveu durante um bom tempo, sendo detalhista em cada descrição do que vira e vivenciara. Ele sabia que quanto melhor a informação dada, melhor seria sua recompensa. Mal podia imaginar como seria receber uma nova informação interessante. Da última vez havia recebido algo bastante valioso, algo que quase ninguém na ilha sabe. Depois de terminar seu relato e conferi-lo, lacrou o envelope com o selo de cera negra da ordem e o colocou de volta no fundo falso, ciente de que ele chegaria até seus superiores em breve. Satisfeito, deixou a sala e foi para o próprio quarto.

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Arannis foi o primeiro a despertar na Lula Cantante e se surpreendeu ao descer as escadas para encontrar os gêmeos treinando entre si. Entusiasmado, se juntou a eles e começou a dar instruções sobre a luta. Quando ouviu o taverneiro de pé, tratou de parar com os treinamentos com espada e começou a ensinar as crianças a escreverem, enquanto procurava explicar o pouco que se lembrava da cultura eladrin a ambos. O próprio bladesinger estranhava como afirmava coisas de maneira natural até depois se questionar de onde sabia tais coisas.
O restante do grupo foi acordando depois de algum tempo e foram descendo para tomar o café da manhã. Todos se reuniram e conversavam casualmente, quando Gwen pediu que as crianças deixassem a mesa. Os gêmeos não queriam partir, mas no final acabaram convencidos por Alanna. Então a conversa tomou um tom sério e todos começaram a questionar Arthur sobre os acontecimentos recentes. O patrulheiro fazia de tudo para tranquiliza-los enquanto seguiam pressionando sobre sua sanidade e seu companheirismo, o que o irritou. No final das contas, avisos foram feitos e ameaças implícitas surgiram, mas todos resolveram dar mais um voto de confiança ao humano, que fazia questão de manter segredo.

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Malaggar estava andando pelo mercado em busca de melhorar seu arsenal. Ele visitava algumas lojas com armaduras mágicas, mas se assustava com os preços. Queria melhorar seus equipamentos, mas via que ainda precisaria de muito mais ouro. Então sentiu uma mão apertar seu ombro direito e virou-se bruscamente, batendo na mão irritado.
- Nunca mais faça isso. Não me toque. – Esbravejou o drow.
- Onde estão os outros? – Era Elros, tranquilo como sempre.
- E eu lá vou saber? Por acaso preciso ficar cuidando de todo mundo? – Debochou o vingador, irritado.
- Que se dane então. – Suspirou o meio-elfo, dando as costas.
Irritado, o emnita observou o ruivo se afastando, notando que ele se dirigia até Scott, que esperava encostado num pilar. Ambos conversaram rapidamente e partiram, cada um carregando uma mochila de grandes proporções, além de o meio-elfo ainda arrastar um baú grande e aparentemente pesado. Curioso, Malaggar os seguiu da maneira mais discreta possível enquanto rodava por toda a cidade, aparentemente buscando algo. Por mais que desconfiasse que estavam à procura do restante do grupo, ainda ponderava se devia informa-los.

...

Depois do café da manhã, Gwen partira para o porto em busca de informações sobre Scott. Arthur, irritado, subiu novamente para seu quarto, onde Celi preparou mais uma poção que este tomou a contragosto. Ele refletia sobre o que acontecia e ficava cada vez mais difícil seguir as demandas da entidade.
- O que estamos fazendo exatamente? – Ele perguntou.
- Estamos te preparando para ser útil. – Respondeu desdenhosa.
- Mas como?
- Minha mente, minha essência, elas estão presas no seu corpo. Eu tenho acesso à sua mente. Eu posso... – Fez uma pausa. – Eu posso modificar suas memórias. Transformar sua vivência. E com isso, lhe ensinar coisas mais úteis do que esse conhecimento ridículo que você tem. Você vai ser treinado novamente.
- Espero que isso dê certo. – Respondeu inseguro.

...

O drow havia finalmente decidido por avisar ao seu contratante sobre o grupo. Este agradeceu, enquanto o meio-elfo ironizara a relutância em ajudar. Não demorou para que estivessem na porta da taverna, onde apenas Elros seguiu, deixando o nobre na companhia de Malaggar lá fora, vigiando o baú que ficou para trás.
- Estão prontos para partir? – O ruivo se aproximou da mesa já no interior da Lula Cantante.
- Devemos ir agora?
- Sim. Senhor Raynor já nos espera.
- Vamos juntar nossas coisas.
Alguns minutos se passaram enquanto todos se preparavam e juntavam suas tralhas. Arannis ajudara Alanna a vestir sua armadura para acelerar o processo, enquanto flertava com ela de maneira descontraída. O grupo logo se juntou novamente na mesa, pagando ao taverneiro pelo café, enquanto Scott e Elros esperavam numa das mesas, o baú aos seus pés. Não demorou para que partissem rumo ao porto, enquanto o meio-elfo explicava que os outros três restantes continuariam na cidade para resolver algumas pendências.
Lá encontraram Gwen e vários dracares carregados com diversos tipos de suprimentos. Os espaços eram escassos, por isso o grupo teria que se dividir em alguns barcos. As combinações por barco foram: Arannis e os gêmeos. Gwen e Shaisys. Arthur e Malaggar. Alanna, Scott e Elros. Em poucos minutos estavam prontos para zarpar e iniciaram a subida pelo rio Baixo até sua nascente novamente.

...

Foram cinco dias de viagem. Arthur continuou bebendo suas misturas estranhas e Malaggar tinha cada vez mais certeza do que estava acontecendo: o humano estava se sujeitando às mutações que as ordens fazem com todos seus sacerdotes. Os movimentos estranhos na noite continuavam também. Arannis passou toda a viagem ensinando as crianças a escrita do idioma comum e contando sobre o pouco da cultura eladrin que conhecia.

Alanna passou a viagem se aproximando da dupla que a acompanhava. Elros parecia bastante sincero e tinha um certo receio com nobres. Scott soava como uma boa pessoa, mas não deixava desaparecer em momento algum a sua aura de nobreza. Apesar dos conflitos que poderiam surgir do ruivo com ambos nobres, as conversas seguiam amigáveis e não houve motivo para preocupação. Nos outros barcos, apenas Gwen fez algo diferente, seguindo com seus estudos no idioma antigo. Na noite do quinto dia estavam de volta ao posto avançado.

4 comentários:

  1. Rick, vc não foi fiel a conversa na taverna com Arthur... meu personagem conduziu de forma mais diplomática... antes que começasse um entrave entre os personagens, tendo em vista que Arthur foi mau educado com várias respostas.

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    1. Eu não tenho como lembrar palavra por palavra que é dita por nós 7 durante as 4, 5 horas que jogamos, mesmo depois de só 24 horas da sessão. De qualquer forma, isso é só um resumo. Se não ficaria mais fácil gravar tudo.

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  2. Rick vc é foda cara, ta tudo escrito como aconteceu na sessão, queria eu ter uma memória tão boa quanto a sua.
    A primeira parte acima onde esta escrito os atos, em fonte diferente o que é aquilo? Pois toda atualização tem uma.
    Nosso grupo, assim como eu esta pecando em algumas coisas, tipo extrair informações dos pdms, nem nos comunicamos com as sacerdotisas, temos que ser mais honestos um com os outros e tbm ver um nome para o grupo, por mim ficaria MESA 6 mesmo.

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    1. São informações extras, geralmente relacionado com algum elemento presente no capítulo.

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