“Orcs são criaturas de fúria e destruição.
Eles não veem problemas em ceder aos seus instintos primitivos, achando isso
muito mais simples do que racionalizar. Todos ficaram surpresos quando eles
invadiram a cidade de Scottner e, ao invés de simplesmente destruir tudo por
lá, ocuparam a cidade. Eles até fizeram pactos de não agressão com os goblins
da redondeza, o que sempre pareceu improvável.
Não sabemos ao certo qual a razão, mas os
orcs pareceram ceder à civilização. Talvez tenham percebido que a fúria
desenfreada e impensável não pode ser a solução para tudo, visto que sempre
atacaram a cidade e saíam derrotados. Talvez alguém os tenha instruído melhor,
não temos certeza. Sabemos que orcs as vezes se submetem a criaturas mais
inteligentes e poderosas, mas nunca encontramos qualquer evidência de que haja
uma liderança desse tipo em Scottner. É uma pena que a cidade seja fechada a
qualquer não-orc, por isso nunca saberemos o que move e motiva os orcs daquele lugar.
”
- Jaskier Obrecht, em “Estudos das Estruturas
Tribais”.
Capítulo 5
- Qual é o preço?? – Insistiu Arthur, tendo apenas o
silêncio como resposta.
- Tudo bem, eu aceito. – Sentenciou, desapontado,
sua consciência já se esvaindo.
O grupo foi pego de surpresa pela atitude do
patrulheiro. Todos estavam se recobrando do choque de ter uma morte na luta de
alguns minutos atrás quando ele se levantou e arrastou o corpo do minotauro
para a parte mais aberta da caverna. Ele começou a fuçar nos próprios pertences
enquanto olhava fixamente para o cadáver, como se estivesse num transe.
- Não me interrompam. – Sua voz, fria como nunca,
ordenou a todos, numa postura até então jamais presenciada.
Ele iniciou uma espécie de mantra enquanto se
abaixava sobre o corpo e ficou nesse processo durante horas. Malaggar sentiu que
o humano estava se utilizando de energia divina e ficava se perguntando como
isto poderia ser possível. Os outros encaravam atônitos por um tempo, mas logo
ficaram entediados tentando acompanhar o que acontecia e voltaram sua atenção a
outras coisas, inquietos e incomodados com o que acontecia ao lado.
...
Se passaram oito horas até que Foostus estivesse de
volta à vida. Ele voltou como se despertasse de um sono casual, um pouco
desorientado. O humano que realizara o ritual durante todo o tempo estava
encharcado de suor, o corpo exaurido. O guardião ainda teve tempo de ver seu
benfeitor com a consciência ameaçando deixa-lo.
- Você morreu, meu caro. – Sussurrou Arthur,
tentando resistir ao cansaço. – Mas enfim está de volta. Só descansou algumas
horas.
- Obrigado. – Respondeu o minotauro um pouco
desconfiado, olhando à sua volta enquanto o grupo se aproximava.
- Bom, agora eu é que preciso de meu descanso. –
Foram as últimas palavras do patrulheiro antes de desabar para trás.
O grupo se reorganizou e aproveitou a ocasião para
fazer um descanso. Eles não sabiam o que havia pela frente, mas tinham a
impressão de estar com algum tempo sobrando. Os avanços vinham sendo rápidos e,
apesar dos problemas com monstros no caminho, parecia bem provável que conseguissem
chegar ao seu destino a tempo de iniciar o ataque planejado. Deixando as
dúvidas de lados, todos foram capazes de descansar depois de mais um dia de
luta.
...
Na manhã seguinte todos se levantaram mais
dispostos. Malaggar se sentia em casa e era o que estava em melhor espírito,
mas todos se sentiam aliviados pela recuperação de Foostus. Como o combatente
mais direto do grupo, todos sabiam que sua presença era vital para o sucesso de
equipe. Sem muitas delongas, voltaram para os túneis abandonados em busca da
cidade de Scottner.
Depois de cerca de seis horas de caminhada, o túnel
abafado e escuro chegou ao seu fim, resultando numa porta de madeira simples. O
tempo havia sido duro com ela, mas ao menos se mantinha de pé com alguma
segurança. Alguns se aproximaram com cautela, procurando por qualquer mecanismo
de defesa, mas nada encontraram. Ainda receosos, abriram a porta e encontraram
um porão cheio de caixas destroçadas.
Era visível que o local fora pilhado e abandonado.
Várias caixas estavam com marcas de armas, muitas com a madeira já apodrecida.
Haviam grandes montes de tábuas e entulho em cada canto da sala e não demorou
muito para que a escada de mão que levava a um alçapão atraísse o interesse do
grupo. Mas antes que alguém fosse até a escada, Arannis e Shaisys conseguiram
sentir uma pequena manifestação de magia na sala.
Ao vasculharem o porão com cuidado, o eladrin
encontrou um pergaminho numa das pilhas de detritos. Ele retirou o pedaço de
papel com cuidado e passou os olhos por ele, sem identificar o idioma. Outros
se aproximaram para verificar, mas a única capaz de ler foi Alanna.
- Está no idioma dos anões.
- O que diz aí? – Questionou o bladesinger.
- Venha cá. – Pediu a meio-elfa, entregando o
pergaminho para a halfling olhar.
- E então?
- A tradução daquilo é: “Numa coreografia animada
ele dança claramente, banindo toda noite, exceto a mais escura. Dê alimento a
ele e ele viverá; dê água a ele e ele morrerá. ” – Sussurrou a ardent, temendo
ativar algum efeito mágico.
A informação circulou pelo grupo e todos pensavam
juntos, jogando cada vez mais sugestões. Animais, monstros, elementais, até que
enfim a meio-elfa sugeriu fogo. Uma nova especulação foi feita entre eles
enquanto o pergaminho repousava acima de algumas caixas. Eles tentavam decidir
se deveriam arriscar a resposta ou não e então como arriscar.
- É fogo. E provavelmente preciso dizer no idioma
anão. Vou fazer. – Disse Alanna enquanto ia até o pergaminho.
- É, acho que é isso mesmo. – Concordaram alguns dos
membros do grupo.
- Vatra. – Arriscou a psiônica.
Quando todos já imaginavam ter errado, ouviram um sutil
“clique”. Numa das pilhas de destroços, Arannis encontrou uma caixa de metal.
Ela era pequena, toda pintada de vermelho e com vários ornamentos num tom
dourado. Na parte de cima do tampo, adornos em forma de chama se destacavam,
deixando claro a devoção à Fleara. Ao abrir a caixa de metal, o eladrin
encontrou, enrolada numa seda vermelha, um conjunto de pederneiras, claramente
mágico.
- Deixe-me ver. – Arthur voltou ao tom autoritário
do dia anterior, recebendo a pederneira em suas mãos.
Logo que o item tocou a mão do humano e o eladrin
recolheu a própria mão, a pederneira simplesmente esfarelou, virando um pó
brilhante que ia desaparecendo aos poucos. O grupo olhava atônito enquanto o
bladesinger se irritava, encarando o companheiro com um olhar inquisidor. Como
se voltasse de um transe, o patrulheiro se encontra como o centro das atenções,
as mãos vazias e animosidade no ar.
- Está pago. – O humano ouviu em sua mente.
- E então? Vai explicar? – Arannis parecia
impaciente enquanto os outros demonstravam curiosidade.
- É complicado... – Desconversou Arthur. – Uma outra
hora eu explico. Mas era o preço. – Explicou enquanto apontava para Foostus.
- Vou querer ouvir. – Falou num tom ameaçador o
bladesinger, virando as costas e voltando sua atenção à escada novamente.
Enquanto a discussão acontecia, Gwen havia ido até a
escada a iniciara a escalada. A atenção de todos se voltou quando ela tentava
abrir o alçapão, sem sucesso. Havia algo pesado atrapalhando e ela tinha receio
em tentar forçar, pois não sabiam o que estaria no andar de cima. Outros
membros do grupo subiram após a elfa e tentaram ver alguma coisa, mas parecia
difícil. Uma nova discussão se iniciou para tentar decidir como agir e o tempo
passava sem que houvesse qualquer acordo.
Arthur então subiu e resolveu forçar o alçapão,
descobrindo que havia o que parecia ser uma estante obstruindo o caminho.
Depois de algum esforço, ele conseguiu usar seus machados como suporte para o
alçapão, cuidadoso para não ver tudo desabar. A cautela, no entanto, não foi
suficiente. Assim que seu corpo chegou até o andar de cima, seu pé esbarrou no
cabo de um dos machados, derrubando-o no porão e fechando novamente a passagem
com um som alto de batida.
Mas o grupo estava com sorte, visto que o céu
desabava do lado de fora e o som da tempestade provavelmente teria abafado a
batida. Ele então fez um rápido reconhecimento na sala. Estava claro que ela
não era usada há muito tempo, assim como o porão ela havia sido saqueada e
tinha vários detritos. Era pequena e resultava numa porta, que ele achou melhor
não abrir agora. Ficando em silêncio e escondido, ele tentou notar alguma
aproximação provocada pelo barulho da queda da estante, mas aparentemente a
chuva havia lhe dado cobertura. Já mais aliviado, o humano do grupo resolveu
reabrir o alçapão e desceu para junto dos companheiros.
- Parece que ninguém vem aqui há muito tempo. –
Contou enquanto pegava o machado que havia deixado cair.
- Ninguém ouviu o barulho, seu desastrado? –
Questionou Alanna.
- Está chovendo muito forte lá fora, então acho que
ninguém ouviu.
- Vamos subir e ver como é o lugar? – Consultou Gwen.
- Acho que é o melhor. – Respondeu Arannis.
Após todos concordarem, os sete subiram a escada e
foram se posicionando na sala pequena, que ficou bastante apertada com tanta gente.
O eladrin abriu a porta com cautela, olhando por uma pequena fresta para o que
parecia ser um corredor. Ele a elfa se posicionaram de maneira a varrer ambos
os lados do corredor, se certificando de que não havia ninguém do lado de fora,
então finalmente passaram avançaram e viram que o corredor terminava com uma
nova porta de cada lado.
O grupo decidiu ir pela direita, recorrendo ao
acesso seguinte com cautela, encontrando a cozinha do casarão onde estavam.
Nada de valor – fossem talheres, pratos ou bandejas, tão comuns em casas desse
porte – foi encontrado. Estava tudo revirado e abandonado. Através de uma
grande janela eles viam que a chovia torrencialmente. Também conseguiam uma boa
visão dos fundos da casa, abandonados, já tomado pelo mato. Na mesma parede da passagem
pela qual entraram havia uma segunda porta à sua esquerda e mais outra que
levava para o exterior, na parede à direita.
O grupo optou por ir até a entrada à sua esquerda,
onde saíram no que fora uma sala de jantar. Uma mesa longa estava no centro da
sala, cercada de cadeiras. Até então, este era o lugar menos destruído da casa.
A mesa e as cadeiras estavam consideravelmente conservadas, apesar de alguns
armários numa das paredes estarem em ruínas. Vitrais na parede oposta mostravam
o muro do casarão cercado de mato e uma visão bem precária das muralhas da
cidade. A impressão é de que estavam numa das partes mais elevadas da cidade. À
frente, uma nova porta, desta vez dupla e mais ornamentada, apesar dos sinais
do tempo.
Depois de uma olhada pelos vitrais o grupo seguiu
até a porta dupla. Ao abri-la, se depararam com a sala de recepção do casarão.
Logo à frente deles estava outra porta dupla que levava até a parte frontal. De
ambos os lados, lances de escadaria subiam num semicírculo que resultava numa
espécie de sacada acima da passagem pela qual entraram. Num canto do lado
esquerdo, depois da escadaria, um novo acesso, que rapidamente foi checado e
levava até o corredor onde começaram a exploração. No centro da sala havia uma
pequena mesa destruída, nas paredes cortinas rasgadas e no chão os restos de um
grande tapete.
Subiram as escadas se sentindo mais seguros, encontrando
um corredor longo com algumas portas de ambos os lados. Ao explorarem com mais
cuidado perceberam que se tratavam de quartos. As camas estavam quebradas e
cada um deles tinha uma vista privilegiada da cidade atrás das cortinas
furadas. Dali podiam ver as muralhas de madeira que envolviam Scottner, suas
ruas de terra batida e agora lamacenta. Casas de madeira se amontoavam por
todos os lados, escondendo os novos habitantes da cidade da chuva.
Depois de algum tempo o grupo estava dividido entre
os quartos, cada um observando através de suas janelas com cuidado, vendo as
sentinelas nas muralhas e um ou outro orc enfrentando a chuva pela cidade. Arthur
e Arannis estavam num dos quartos e resolveram resolver a pendência deixada
pelo incidente no porão.
- E então, o que você ia me falar? – Questionou o
eladrin.
- Ah, me desculpa. Você já percebeu como as vezes eu
tenho algumas mudanças de humor e comportamento? – Perguntou o humano.
- Não, nunca reparei.
- Então, eu não estou sozinho. Tem alguém mais
comigo e foi essa pessoa quem ajudou o Foostus e pediu a compensação. As vezes
não consigo manter o controle. – Explicou calmamente o patrulheiro, apontando
para a própria cabeça.
- Certo. – Completou o bladesinger, desconfiado.
Os dois se olharam por alguns segundos, então Arthur
deu as costas e começou a murmurar coisas aparentemente para si. Arannis
observava confuso e um pouco constrangido. Começava a duvidar da sanidade do
companheiro e teve certeza de que deveria ficar de olho no mesmo. Cruzou os
braços e se encostou na cama enquanto o outro gesticulava sussurrando de
maneira assertiva.
...
Dois dias se passaram com o grupo escondido no
casarão. Em momento algum a chuva cessou, apesar de sua força ter diminuído consideravelmente.
Quando a noite caiu e o sol já havia partido para seu descanso, a companhia se
reuniu para concluir sua missão. No tempo que tiveram conseguiram traçar uma
rota segura na direção do portão leste. Eles haviam visto que, assim como dito
por Scott Raynor, realmente funcionava com um mecanismo de suspensão por seu
formato bastante vertical. Ficaram gratos pelo fato de a mansão realmente estar
no ponto mais alto da cidade e terem uma ótima visão estratégica.
O grupo da mesa seis partiu na noite, procurando
ocultar ao máximo seus passos e chegar até o portão sem serem notados. A chuva
continuava a cair e o solo estava escorregadio e todo empoçado, requerendo um
pouco mais de cuidado com cada passo, apesar de cobrir razoavelmente o barulho
que poderiam causar. Apesar do tempo, a lua conseguia trazer alguma luz à
cidade, o suficiente para que orcs conseguissem enxergar bem. Alguns membros do
grupo tinham esta mesma vantagem.
Depois de alguns minutos se esgueirando pelas ruas
de barro, o grupo chegou até o ponto chave da missão. Havia um sistema de
manivela de corpo para puxar a corrente do portão, que passava por um ponto de
fixação numa das paredes da muralha, indo só então parar na grande folha, que
era feita de madeira e tinha o topo arredondado. Em cada lado haviam escadarias
que levavam até as ameias da muralha também de madeira e era ali que avistaram
uma sentinela orc. Infelizmente não conseguiram notar ao entrar na área que
haviam sido descobertos e caíram numa armadilha, sendo pegos de surpresa pelos
inimigos.
Três orcs surgiram pelas ameias carregando machados
de duas mãos e vestindo couro, enquanto outros três semelhantes surgiam das
sombras nas costas deles, provavelmente tendo seguido o grupo pelo trajeto.
Vindo de variadas direções, outros cinco orcs vestindo peles e carregando
clavas em suas mãos se aproximaram, cercando-os. Eles deram os primeiros passos
na direção do grupo, investindo com fúria. Arannis, Foostus e Arthur foram
atingidos por golpes de clava que, apesar de não serem tão potentes, geravam um
desconforto com a dor da pancada. Os orcs que vinham pelas costas se
aproximaram com maior cautela enquanto os das ameias desciam as escadas
apressados para encontrar seus inimigos.
O que se viu em seguida foi uma confusão de armas e
sangue, golpes em todas as direções e a água da chuva se misturando com o
vermelho antes de tocar o solo. Arthur balançava seus machados sedento por
sangue inimigo, girando-os incessantemente enquanto tentava derrubar cada
inimigo que se aproximava. Alanna lutava com sua alabarda tentando manter uma área
segura à sua volta, atenta aos ferimentos dos companheiros para que pudesse
lhes revigorar com seus poderes mentais. Arannis lançava mão de magia enquanto
golpeava com sua espada cantante, tomando a frente do combate e buscando
coragem para enfrentar a morte.
Os golpes pesados de Foostus podiam ser ouvidos ao
longe, seu malho rachando ossos ou criando pequenas crateras no solo
encharcado, enquanto desafiava os orcs a se aproximarem de sua área de ameaça.
Gwen buscava os melhores ângulos possíveis para seus disparos, contando com a
ajuda dos espíritos para confundir os inimigos e dar a vantagem aos seus
amigos. Shaisys seguia invocando os poderes de seu pacto, sua magia se
destacando no escuro da noite enquanto queimava quem estava à sua frente.
Malaggar, como sempre, parecia numa luta particular. Escolhia um oponente e o
arrastava para fora do combate, seu machado cortando fundo na carne dos orcs e
espirrando sangue nas paredes da muralha.
Os orcs lutavam como nunca, sua fúria sendo descarregada
em cada golpe, cortando e esmagando quem estivesse em sua frente. Cada golpe
bem dado era sucedido por um urro na esperança de contar com reforços o quanto
antes. A batalha era frenética e ia se definindo rapidamente. O grupo, já
habituado a atuar junto, se esforçava para combinar as características de cada
um, tirando o melhor de cada companheiro a todo segundo. Trovões retumbavam
pelos céus numa coreografia de raios enquanto a chuva lavava todo o sangue que
era tirado naquele campo de guerra sujo e fedido.
Agindo de maneira esperta e rápida, os invasores iam
derrubando os orcs mais simplórios rapidamente e logo haviam virado o jogo,
conseguindo tomar a vantagem numérica para si. Sem esperanças enquanto não viam
reforços chegando, o orcs faziam todo possível para levar algum inimigo consigo
antes de tombar para as armas de seus oponentes. O final da luta foi um
verdadeiro massacre, enquanto o mecanismo para soltar o portão já vinha
recebendo a atenção necessária. A trava na parede da muralha havia sido retirada
e o mecanismo foi girado até seu limite, baixando o portão enquanto o eladrin
tocava o chifre mágico cedido pela sua líder, chamando pelos reforços
combinados.
Uma cacofonia tomou conta da situação enquanto os
cascos da cavalaria pisoteavam o barro carregando guerreiros protegidos por
metal e eufóricos pela matança que os esperava. Seus gritos serviram para
alardear os orcs, que já desconfiavam do que acontecia sob a tempestade que
assolava a cidade. Cumprindo sua parte do plano, a cavalaria galopou rumo ao
centro da cidade, atraindo a fúria dos residentes enquanto o grupo resolvia sua
parte. Com golpes de Arthur, Arannis e Alanna, a grossa corrente cedeu,
chicoteando pela área e errando por pouco o grupo, enquanto era puxada com
força pelo portão.
Depois de uma breve pausa para se recuperarem da
exaustão do combate, o grupo reuniu forças para seguir com o plano. Guiados
pelo minotauro, correram como nunca na vida, pulando obstáculos e fincando suas
botas fundo no barro. Alguns orcs iniciaram uma perseguição, gritando pelos
companheiros. Lanças e machadinhas eram jogadas de algumas residências pelas
quais passavam, cortando e atrapalhando os invasores, que sem delongas se
aproximaram do portão sudoeste, onde sabiam que a infantaria estaria esperando.
O barulho que se alastrou pela cidade, junto ao que vinha dos céus, tornou
impossível que o grupo tivesse certeza de uma possível aproximação do exército,
mas eles cumpriram seu papel e desafiaram as sentinelas que já se posicionavam
ao lado dos portões.
As ameias tinham escadas na mesma posição daquelas
do portão anterior, mas os mecanismos de abertura ficavam lá em cima. O portão
era de grossas folhas duplas de madeira e seria necessário girar ambos
mecanismos para que ficasse aberto o suficiente para que o exército avançasse.
Protegendo a área estavam seis orcs do mesmo pelotão que enfrentaram
anteriormente – três esperando por eles e outros três em seus calcanhares -,
cobertos por couro e carregando machados grandes. Assim como na luta anterior, encontraram
cinco inimigos com peles e clavas. Mas junto a eles estavam também dois orcs um
pouco mais altos e fortes, cobertos por couro e carregando um machado grande
cada.
O grupo avançou recorrendo a todos os recursos que
tinha em mãos. A premissa do combate foi a mesma. Em poucos segundos os inimigos
estavam amontoados à frente do portão, testando suas armas contra a proteção
dos oponentes. Sangue jorrava e urros eram dados enquanto pele era aberta e
ossos esmagados num tumulto mortal. Mais uma vez o grupo se esforçou para
cortar os números dos orcs o mais rápido possível, visando ganhar a vantagem
numérica para trucidar os sobreviventes. Por um tempo esteve funcionando, mas
novos orcs chegavam quase no mesmo ritmo que outros perdiam a vida.
O bladesinger golpeava sem restrições, hora apelando
ao fogo, hora apelando às sombras com sua magia de auxílio, afastando os
inimigos para dar tempo ao grupo. O minotauro, se vendo encurralado, invocou os
espíritos do gelo para cobrir sua pelugem aumentar a resistência aos golpes
inimigos. Alanna manejava sua alabarda com habilidade, imbuindo energia
psiônica em cada golpe, as vezes protegendo um aliado, em outras restaurando
seu ânimo. Shaisys buscava as melhores posições, aproveitando-se do escuro para
se ocultar antes de fazer chover fogo sobre os orcs.
As criaturas contra-atacavam com fúria, seus
machados brilhavam a cada relâmpago que surgia no céu, fazendo uma espécie de
duelo de semelhantes, já que o drow e o patrulheiro se utilizavam do mesmo tipo
de arma. A elfa era uma exceção, subindo as escadas e tirando proveito das
ameias para ter uma visão privilegiada e descarregar a morte sobre o campo de
batalha. Depois de mais quatro orcs munidos de clava se juntarem ao combate com
a passagem do tempo, um novo orc se juntou à batalha, protegido por couro sob
um manto de peles e com uma lança à mão, ele passa uma impressão de imponência
que reanima o grupo de orcs quando estes percebem sua chegada.
O combate se prolonga por mais algum tempo, com o recém-chegado
recorrendo a ataques revigorantes que mantém seus companheiros animados e
concentrados no combate. Enquanto Malaggar arrasta oponente por oponente para
fora do combate para duelos individuais, o grupo segue imerso numa troca de
golpes desesperadora, todos lutando por suas vidas. Os orcs vão caindo um a um.
Alanna se esforça para manter todos aliados em condições de combate, enquanto
Shaisys segue se locomovendo envolta em sombras pelo campo de batalha antes de
usar sua magia contra os inimigos. Foostus, Arannis e Arthur golpeiam
incessantemente, sem misericórdia, desmembrando e cessando a vida dos inimigos,
pouco a pouco ganhando terreno e a vantagem dos números. Gwen se dirigia até um
dos mecanismos para começar a abrir os portões.
A chuva seguia golpeando a cidade e formando poças
no solo barroso, que ia adquirindo um tom cada vez mais avermelhado em
consequência de tantas mortes. A contagem dos corpos ficava grande e quando os
orcs ficaram numa desvantagem escancarada, Arannis subiu para as ameias para
girar o mecanismo oposto ao que a companheira elfa estava. Eles se esforçaram
para girar as correntes e iniciaram a abertura do portão para que a infantaria
avançasse.
Enquanto isso, no barro, o grupo cercava os dois orcs
restantes depois que o vingador venceu mais um duelo, focando os ataques na
dupla sobrevivente. Raios continuavam a cortar os céus quando a cabeça de um
dos orcs fora separada de seu corpo por um golpe certeiro, deixando seu
companheiro solitário pronto para ser obliterado. Com uma chuva de golpes, sua
vida foi encerrada e os portões abertos. O som do chifre soou novamente em
Scottner e o exército azul e prata marchou pelo portão aberto, preenchendo a
cidade na caça de seus indesejados ocupantes.
- Descansem agora! A gente termina o serviço! –
Gritou o anão Amgram, sinalizando com as mãos enquanto guiava seu pelotão pela
cidade.
Todos estavam nas ameias nesse momento, retomando o
fôlego depois do duro combate que tiveram. Estavam aliviados por seu papel ter
chegado ao fim e a chuva que caía parecia lavar suas almas e levar toda preocupação
e negatividade embora. Silverhawks não paravam de passar pelo portão e o grupo
se divertia com a perspectiva do desespero dos orcs que seriam esmagados por suas
forças. A cidade seria retomada, graças a eles.
Rick errou 8 ataques em cima do meu personagem é um marco na historia.
ResponderExcluirMesmo o mestre ter achado errado eu pedir pra a elfa abrir o portão junto a mim, foi por confiar no grupo e achar que era a decisão certa a tomar, temendo que a cavalaria que entrara no primeiro portão fosse dizimada e mais orcs surgissem e nos aniquilando, dai a decisão de deixar a cavalaria entrar.
Ansioso para próxima sessão e o dialogo apos tudo se encerrar!
Palavras de Arannis: Meus amigos, sairmos vitoriosos, agradeço a cada um de vocês ajuda e que nosso grupo possa se unir ainda mais. Que Fleara me proteja hoje e sempre!
Ficou top Rick, agora é esperar a próxima sessão e ver o que no aguarda!
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