quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Ato I: A Reconquista V

“Orcs são criaturas de fúria e destruição. Eles não veem problemas em ceder aos seus instintos primitivos, achando isso muito mais simples do que racionalizar. Todos ficaram surpresos quando eles invadiram a cidade de Scottner e, ao invés de simplesmente destruir tudo por lá, ocuparam a cidade. Eles até fizeram pactos de não agressão com os goblins da redondeza, o que sempre pareceu improvável.
Não sabemos ao certo qual a razão, mas os orcs pareceram ceder à civilização. Talvez tenham percebido que a fúria desenfreada e impensável não pode ser a solução para tudo, visto que sempre atacaram a cidade e saíam derrotados. Talvez alguém os tenha instruído melhor, não temos certeza. Sabemos que orcs as vezes se submetem a criaturas mais inteligentes e poderosas, mas nunca encontramos qualquer evidência de que haja uma liderança desse tipo em Scottner. É uma pena que a cidade seja fechada a qualquer não-orc, por isso nunca saberemos o que move e motiva os orcs daquele lugar. ”
- Jaskier Obrecht, em “Estudos das Estruturas Tribais”.

Capítulo 5

- Qual é o preço?? – Insistiu Arthur, tendo apenas o silêncio como resposta.
- Tudo bem, eu aceito. – Sentenciou, desapontado, sua consciência já se esvaindo.
O grupo foi pego de surpresa pela atitude do patrulheiro. Todos estavam se recobrando do choque de ter uma morte na luta de alguns minutos atrás quando ele se levantou e arrastou o corpo do minotauro para a parte mais aberta da caverna. Ele começou a fuçar nos próprios pertences enquanto olhava fixamente para o cadáver, como se estivesse num transe.
- Não me interrompam. – Sua voz, fria como nunca, ordenou a todos, numa postura até então jamais presenciada.
Ele iniciou uma espécie de mantra enquanto se abaixava sobre o corpo e ficou nesse processo durante horas. Malaggar sentiu que o humano estava se utilizando de energia divina e ficava se perguntando como isto poderia ser possível. Os outros encaravam atônitos por um tempo, mas logo ficaram entediados tentando acompanhar o que acontecia e voltaram sua atenção a outras coisas, inquietos e incomodados com o que acontecia ao lado.

...

Se passaram oito horas até que Foostus estivesse de volta à vida. Ele voltou como se despertasse de um sono casual, um pouco desorientado. O humano que realizara o ritual durante todo o tempo estava encharcado de suor, o corpo exaurido. O guardião ainda teve tempo de ver seu benfeitor com a consciência ameaçando deixa-lo.
- Você morreu, meu caro. – Sussurrou Arthur, tentando resistir ao cansaço. – Mas enfim está de volta. Só descansou algumas horas.
- Obrigado. – Respondeu o minotauro um pouco desconfiado, olhando à sua volta enquanto o grupo se aproximava.
- Bom, agora eu é que preciso de meu descanso. – Foram as últimas palavras do patrulheiro antes de desabar para trás.
O grupo se reorganizou e aproveitou a ocasião para fazer um descanso. Eles não sabiam o que havia pela frente, mas tinham a impressão de estar com algum tempo sobrando. Os avanços vinham sendo rápidos e, apesar dos problemas com monstros no caminho, parecia bem provável que conseguissem chegar ao seu destino a tempo de iniciar o ataque planejado. Deixando as dúvidas de lados, todos foram capazes de descansar depois de mais um dia de luta.

...

Na manhã seguinte todos se levantaram mais dispostos. Malaggar se sentia em casa e era o que estava em melhor espírito, mas todos se sentiam aliviados pela recuperação de Foostus. Como o combatente mais direto do grupo, todos sabiam que sua presença era vital para o sucesso de equipe. Sem muitas delongas, voltaram para os túneis abandonados em busca da cidade de Scottner.
Depois de cerca de seis horas de caminhada, o túnel abafado e escuro chegou ao seu fim, resultando numa porta de madeira simples. O tempo havia sido duro com ela, mas ao menos se mantinha de pé com alguma segurança. Alguns se aproximaram com cautela, procurando por qualquer mecanismo de defesa, mas nada encontraram. Ainda receosos, abriram a porta e encontraram um porão cheio de caixas destroçadas.
Era visível que o local fora pilhado e abandonado. Várias caixas estavam com marcas de armas, muitas com a madeira já apodrecida. Haviam grandes montes de tábuas e entulho em cada canto da sala e não demorou muito para que a escada de mão que levava a um alçapão atraísse o interesse do grupo. Mas antes que alguém fosse até a escada, Arannis e Shaisys conseguiram sentir uma pequena manifestação de magia na sala.
Ao vasculharem o porão com cuidado, o eladrin encontrou um pergaminho numa das pilhas de detritos. Ele retirou o pedaço de papel com cuidado e passou os olhos por ele, sem identificar o idioma. Outros se aproximaram para verificar, mas a única capaz de ler foi Alanna.
- Está no idioma dos anões.
- O que diz aí? – Questionou o bladesinger.
- Venha cá. – Pediu a meio-elfa, entregando o pergaminho para a halfling olhar.
- E então?
- A tradução daquilo é: “Numa coreografia animada ele dança claramente, banindo toda noite, exceto a mais escura. Dê alimento a ele e ele viverá; dê água a ele e ele morrerá. ” – Sussurrou a ardent, temendo ativar algum efeito mágico.
A informação circulou pelo grupo e todos pensavam juntos, jogando cada vez mais sugestões. Animais, monstros, elementais, até que enfim a meio-elfa sugeriu fogo. Uma nova especulação foi feita entre eles enquanto o pergaminho repousava acima de algumas caixas. Eles tentavam decidir se deveriam arriscar a resposta ou não e então como arriscar.
- É fogo. E provavelmente preciso dizer no idioma anão. Vou fazer. – Disse Alanna enquanto ia até o pergaminho.
- É, acho que é isso mesmo. – Concordaram alguns dos membros do grupo.
- Vatra. – Arriscou a psiônica.
Quando todos já imaginavam ter errado, ouviram um sutil “clique”. Numa das pilhas de destroços, Arannis encontrou uma caixa de metal. Ela era pequena, toda pintada de vermelho e com vários ornamentos num tom dourado. Na parte de cima do tampo, adornos em forma de chama se destacavam, deixando claro a devoção à Fleara. Ao abrir a caixa de metal, o eladrin encontrou, enrolada numa seda vermelha, um conjunto de pederneiras, claramente mágico.
- Deixe-me ver. – Arthur voltou ao tom autoritário do dia anterior, recebendo a pederneira em suas mãos.
Logo que o item tocou a mão do humano e o eladrin recolheu a própria mão, a pederneira simplesmente esfarelou, virando um pó brilhante que ia desaparecendo aos poucos. O grupo olhava atônito enquanto o bladesinger se irritava, encarando o companheiro com um olhar inquisidor. Como se voltasse de um transe, o patrulheiro se encontra como o centro das atenções, as mãos vazias e animosidade no ar.
- Está pago. – O humano ouviu em sua mente.
- E então? Vai explicar? – Arannis parecia impaciente enquanto os outros demonstravam curiosidade.
- É complicado... – Desconversou Arthur. – Uma outra hora eu explico. Mas era o preço. – Explicou enquanto apontava para Foostus.
- Vou querer ouvir. – Falou num tom ameaçador o bladesinger, virando as costas e voltando sua atenção à escada novamente.
Enquanto a discussão acontecia, Gwen havia ido até a escada a iniciara a escalada. A atenção de todos se voltou quando ela tentava abrir o alçapão, sem sucesso. Havia algo pesado atrapalhando e ela tinha receio em tentar forçar, pois não sabiam o que estaria no andar de cima. Outros membros do grupo subiram após a elfa e tentaram ver alguma coisa, mas parecia difícil. Uma nova discussão se iniciou para tentar decidir como agir e o tempo passava sem que houvesse qualquer acordo.
Arthur então subiu e resolveu forçar o alçapão, descobrindo que havia o que parecia ser uma estante obstruindo o caminho. Depois de algum esforço, ele conseguiu usar seus machados como suporte para o alçapão, cuidadoso para não ver tudo desabar. A cautela, no entanto, não foi suficiente. Assim que seu corpo chegou até o andar de cima, seu pé esbarrou no cabo de um dos machados, derrubando-o no porão e fechando novamente a passagem com um som alto de batida.
Mas o grupo estava com sorte, visto que o céu desabava do lado de fora e o som da tempestade provavelmente teria abafado a batida. Ele então fez um rápido reconhecimento na sala. Estava claro que ela não era usada há muito tempo, assim como o porão ela havia sido saqueada e tinha vários detritos. Era pequena e resultava numa porta, que ele achou melhor não abrir agora. Ficando em silêncio e escondido, ele tentou notar alguma aproximação provocada pelo barulho da queda da estante, mas aparentemente a chuva havia lhe dado cobertura. Já mais aliviado, o humano do grupo resolveu reabrir o alçapão e desceu para junto dos companheiros.
- Parece que ninguém vem aqui há muito tempo. – Contou enquanto pegava o machado que havia deixado cair.
- Ninguém ouviu o barulho, seu desastrado? – Questionou Alanna.
- Está chovendo muito forte lá fora, então acho que ninguém ouviu.
- Vamos subir e ver como é o lugar? – Consultou Gwen.
- Acho que é o melhor. – Respondeu Arannis.
Após todos concordarem, os sete subiram a escada e foram se posicionando na sala pequena, que ficou bastante apertada com tanta gente. O eladrin abriu a porta com cautela, olhando por uma pequena fresta para o que parecia ser um corredor. Ele a elfa se posicionaram de maneira a varrer ambos os lados do corredor, se certificando de que não havia ninguém do lado de fora, então finalmente passaram avançaram e viram que o corredor terminava com uma nova porta de cada lado.
O grupo decidiu ir pela direita, recorrendo ao acesso seguinte com cautela, encontrando a cozinha do casarão onde estavam. Nada de valor – fossem talheres, pratos ou bandejas, tão comuns em casas desse porte – foi encontrado. Estava tudo revirado e abandonado. Através de uma grande janela eles viam que a chovia torrencialmente. Também conseguiam uma boa visão dos fundos da casa, abandonados, já tomado pelo mato. Na mesma parede da passagem pela qual entraram havia uma segunda porta à sua esquerda e mais outra que levava para o exterior, na parede à direita.
O grupo optou por ir até a entrada à sua esquerda, onde saíram no que fora uma sala de jantar. Uma mesa longa estava no centro da sala, cercada de cadeiras. Até então, este era o lugar menos destruído da casa. A mesa e as cadeiras estavam consideravelmente conservadas, apesar de alguns armários numa das paredes estarem em ruínas. Vitrais na parede oposta mostravam o muro do casarão cercado de mato e uma visão bem precária das muralhas da cidade. A impressão é de que estavam numa das partes mais elevadas da cidade. À frente, uma nova porta, desta vez dupla e mais ornamentada, apesar dos sinais do tempo.
Depois de uma olhada pelos vitrais o grupo seguiu até a porta dupla. Ao abri-la, se depararam com a sala de recepção do casarão. Logo à frente deles estava outra porta dupla que levava até a parte frontal. De ambos os lados, lances de escadaria subiam num semicírculo que resultava numa espécie de sacada acima da passagem pela qual entraram. Num canto do lado esquerdo, depois da escadaria, um novo acesso, que rapidamente foi checado e levava até o corredor onde começaram a exploração. No centro da sala havia uma pequena mesa destruída, nas paredes cortinas rasgadas e no chão os restos de um grande tapete.
Subiram as escadas se sentindo mais seguros, encontrando um corredor longo com algumas portas de ambos os lados. Ao explorarem com mais cuidado perceberam que se tratavam de quartos. As camas estavam quebradas e cada um deles tinha uma vista privilegiada da cidade atrás das cortinas furadas. Dali podiam ver as muralhas de madeira que envolviam Scottner, suas ruas de terra batida e agora lamacenta. Casas de madeira se amontoavam por todos os lados, escondendo os novos habitantes da cidade da chuva.
Depois de algum tempo o grupo estava dividido entre os quartos, cada um observando através de suas janelas com cuidado, vendo as sentinelas nas muralhas e um ou outro orc enfrentando a chuva pela cidade. Arthur e Arannis estavam num dos quartos e resolveram resolver a pendência deixada pelo incidente no porão.
- E então, o que você ia me falar? – Questionou o eladrin.
- Ah, me desculpa. Você já percebeu como as vezes eu tenho algumas mudanças de humor e comportamento? – Perguntou o humano.
- Não, nunca reparei.
- Então, eu não estou sozinho. Tem alguém mais comigo e foi essa pessoa quem ajudou o Foostus e pediu a compensação. As vezes não consigo manter o controle. – Explicou calmamente o patrulheiro, apontando para a própria cabeça.
- Certo. – Completou o bladesinger, desconfiado.
Os dois se olharam por alguns segundos, então Arthur deu as costas e começou a murmurar coisas aparentemente para si. Arannis observava confuso e um pouco constrangido. Começava a duvidar da sanidade do companheiro e teve certeza de que deveria ficar de olho no mesmo. Cruzou os braços e se encostou na cama enquanto o outro gesticulava sussurrando de maneira assertiva.

...

Dois dias se passaram com o grupo escondido no casarão. Em momento algum a chuva cessou, apesar de sua força ter diminuído consideravelmente. Quando a noite caiu e o sol já havia partido para seu descanso, a companhia se reuniu para concluir sua missão. No tempo que tiveram conseguiram traçar uma rota segura na direção do portão leste. Eles haviam visto que, assim como dito por Scott Raynor, realmente funcionava com um mecanismo de suspensão por seu formato bastante vertical. Ficaram gratos pelo fato de a mansão realmente estar no ponto mais alto da cidade e terem uma ótima visão estratégica.
O grupo da mesa seis partiu na noite, procurando ocultar ao máximo seus passos e chegar até o portão sem serem notados. A chuva continuava a cair e o solo estava escorregadio e todo empoçado, requerendo um pouco mais de cuidado com cada passo, apesar de cobrir razoavelmente o barulho que poderiam causar. Apesar do tempo, a lua conseguia trazer alguma luz à cidade, o suficiente para que orcs conseguissem enxergar bem. Alguns membros do grupo tinham esta mesma vantagem.
Depois de alguns minutos se esgueirando pelas ruas de barro, o grupo chegou até o ponto chave da missão. Havia um sistema de manivela de corpo para puxar a corrente do portão, que passava por um ponto de fixação numa das paredes da muralha, indo só então parar na grande folha, que era feita de madeira e tinha o topo arredondado. Em cada lado haviam escadarias que levavam até as ameias da muralha também de madeira e era ali que avistaram uma sentinela orc. Infelizmente não conseguiram notar ao entrar na área que haviam sido descobertos e caíram numa armadilha, sendo pegos de surpresa pelos inimigos.
Três orcs surgiram pelas ameias carregando machados de duas mãos e vestindo couro, enquanto outros três semelhantes surgiam das sombras nas costas deles, provavelmente tendo seguido o grupo pelo trajeto. Vindo de variadas direções, outros cinco orcs vestindo peles e carregando clavas em suas mãos se aproximaram, cercando-os. Eles deram os primeiros passos na direção do grupo, investindo com fúria. Arannis, Foostus e Arthur foram atingidos por golpes de clava que, apesar de não serem tão potentes, geravam um desconforto com a dor da pancada. Os orcs que vinham pelas costas se aproximaram com maior cautela enquanto os das ameias desciam as escadas apressados para encontrar seus inimigos.
O que se viu em seguida foi uma confusão de armas e sangue, golpes em todas as direções e a água da chuva se misturando com o vermelho antes de tocar o solo. Arthur balançava seus machados sedento por sangue inimigo, girando-os incessantemente enquanto tentava derrubar cada inimigo que se aproximava. Alanna lutava com sua alabarda tentando manter uma área segura à sua volta, atenta aos ferimentos dos companheiros para que pudesse lhes revigorar com seus poderes mentais. Arannis lançava mão de magia enquanto golpeava com sua espada cantante, tomando a frente do combate e buscando coragem para enfrentar a morte.
Os golpes pesados de Foostus podiam ser ouvidos ao longe, seu malho rachando ossos ou criando pequenas crateras no solo encharcado, enquanto desafiava os orcs a se aproximarem de sua área de ameaça. Gwen buscava os melhores ângulos possíveis para seus disparos, contando com a ajuda dos espíritos para confundir os inimigos e dar a vantagem aos seus amigos. Shaisys seguia invocando os poderes de seu pacto, sua magia se destacando no escuro da noite enquanto queimava quem estava à sua frente. Malaggar, como sempre, parecia numa luta particular. Escolhia um oponente e o arrastava para fora do combate, seu machado cortando fundo na carne dos orcs e espirrando sangue nas paredes da muralha.
Os orcs lutavam como nunca, sua fúria sendo descarregada em cada golpe, cortando e esmagando quem estivesse em sua frente. Cada golpe bem dado era sucedido por um urro na esperança de contar com reforços o quanto antes. A batalha era frenética e ia se definindo rapidamente. O grupo, já habituado a atuar junto, se esforçava para combinar as características de cada um, tirando o melhor de cada companheiro a todo segundo. Trovões retumbavam pelos céus numa coreografia de raios enquanto a chuva lavava todo o sangue que era tirado naquele campo de guerra sujo e fedido.
Agindo de maneira esperta e rápida, os invasores iam derrubando os orcs mais simplórios rapidamente e logo haviam virado o jogo, conseguindo tomar a vantagem numérica para si. Sem esperanças enquanto não viam reforços chegando, o orcs faziam todo possível para levar algum inimigo consigo antes de tombar para as armas de seus oponentes. O final da luta foi um verdadeiro massacre, enquanto o mecanismo para soltar o portão já vinha recebendo a atenção necessária. A trava na parede da muralha havia sido retirada e o mecanismo foi girado até seu limite, baixando o portão enquanto o eladrin tocava o chifre mágico cedido pela sua líder, chamando pelos reforços combinados.
Uma cacofonia tomou conta da situação enquanto os cascos da cavalaria pisoteavam o barro carregando guerreiros protegidos por metal e eufóricos pela matança que os esperava. Seus gritos serviram para alardear os orcs, que já desconfiavam do que acontecia sob a tempestade que assolava a cidade. Cumprindo sua parte do plano, a cavalaria galopou rumo ao centro da cidade, atraindo a fúria dos residentes enquanto o grupo resolvia sua parte. Com golpes de Arthur, Arannis e Alanna, a grossa corrente cedeu, chicoteando pela área e errando por pouco o grupo, enquanto era puxada com força pelo portão.
Depois de uma breve pausa para se recuperarem da exaustão do combate, o grupo reuniu forças para seguir com o plano. Guiados pelo minotauro, correram como nunca na vida, pulando obstáculos e fincando suas botas fundo no barro. Alguns orcs iniciaram uma perseguição, gritando pelos companheiros. Lanças e machadinhas eram jogadas de algumas residências pelas quais passavam, cortando e atrapalhando os invasores, que sem delongas se aproximaram do portão sudoeste, onde sabiam que a infantaria estaria esperando. O barulho que se alastrou pela cidade, junto ao que vinha dos céus, tornou impossível que o grupo tivesse certeza de uma possível aproximação do exército, mas eles cumpriram seu papel e desafiaram as sentinelas que já se posicionavam ao lado dos portões.
As ameias tinham escadas na mesma posição daquelas do portão anterior, mas os mecanismos de abertura ficavam lá em cima. O portão era de grossas folhas duplas de madeira e seria necessário girar ambos mecanismos para que ficasse aberto o suficiente para que o exército avançasse. Protegendo a área estavam seis orcs do mesmo pelotão que enfrentaram anteriormente – três esperando por eles e outros três em seus calcanhares -, cobertos por couro e carregando machados grandes. Assim como na luta anterior, encontraram cinco inimigos com peles e clavas. Mas junto a eles estavam também dois orcs um pouco mais altos e fortes, cobertos por couro e carregando um machado grande cada.
O grupo avançou recorrendo a todos os recursos que tinha em mãos. A premissa do combate foi a mesma. Em poucos segundos os inimigos estavam amontoados à frente do portão, testando suas armas contra a proteção dos oponentes. Sangue jorrava e urros eram dados enquanto pele era aberta e ossos esmagados num tumulto mortal. Mais uma vez o grupo se esforçou para cortar os números dos orcs o mais rápido possível, visando ganhar a vantagem numérica para trucidar os sobreviventes. Por um tempo esteve funcionando, mas novos orcs chegavam quase no mesmo ritmo que outros perdiam a vida.
O bladesinger golpeava sem restrições, hora apelando ao fogo, hora apelando às sombras com sua magia de auxílio, afastando os inimigos para dar tempo ao grupo. O minotauro, se vendo encurralado, invocou os espíritos do gelo para cobrir sua pelugem aumentar a resistência aos golpes inimigos. Alanna manejava sua alabarda com habilidade, imbuindo energia psiônica em cada golpe, as vezes protegendo um aliado, em outras restaurando seu ânimo. Shaisys buscava as melhores posições, aproveitando-se do escuro para se ocultar antes de fazer chover fogo sobre os orcs.
As criaturas contra-atacavam com fúria, seus machados brilhavam a cada relâmpago que surgia no céu, fazendo uma espécie de duelo de semelhantes, já que o drow e o patrulheiro se utilizavam do mesmo tipo de arma. A elfa era uma exceção, subindo as escadas e tirando proveito das ameias para ter uma visão privilegiada e descarregar a morte sobre o campo de batalha. Depois de mais quatro orcs munidos de clava se juntarem ao combate com a passagem do tempo, um novo orc se juntou à batalha, protegido por couro sob um manto de peles e com uma lança à mão, ele passa uma impressão de imponência que reanima o grupo de orcs quando estes percebem sua chegada.
O combate se prolonga por mais algum tempo, com o recém-chegado recorrendo a ataques revigorantes que mantém seus companheiros animados e concentrados no combate. Enquanto Malaggar arrasta oponente por oponente para fora do combate para duelos individuais, o grupo segue imerso numa troca de golpes desesperadora, todos lutando por suas vidas. Os orcs vão caindo um a um. Alanna se esforça para manter todos aliados em condições de combate, enquanto Shaisys segue se locomovendo envolta em sombras pelo campo de batalha antes de usar sua magia contra os inimigos. Foostus, Arannis e Arthur golpeiam incessantemente, sem misericórdia, desmembrando e cessando a vida dos inimigos, pouco a pouco ganhando terreno e a vantagem dos números. Gwen se dirigia até um dos mecanismos para começar a abrir os portões.
A chuva seguia golpeando a cidade e formando poças no solo barroso, que ia adquirindo um tom cada vez mais avermelhado em consequência de tantas mortes. A contagem dos corpos ficava grande e quando os orcs ficaram numa desvantagem escancarada, Arannis subiu para as ameias para girar o mecanismo oposto ao que a companheira elfa estava. Eles se esforçaram para girar as correntes e iniciaram a abertura do portão para que a infantaria avançasse.
Enquanto isso, no barro, o grupo cercava os dois orcs restantes depois que o vingador venceu mais um duelo, focando os ataques na dupla sobrevivente. Raios continuavam a cortar os céus quando a cabeça de um dos orcs fora separada de seu corpo por um golpe certeiro, deixando seu companheiro solitário pronto para ser obliterado. Com uma chuva de golpes, sua vida foi encerrada e os portões abertos. O som do chifre soou novamente em Scottner e o exército azul e prata marchou pelo portão aberto, preenchendo a cidade na caça de seus indesejados ocupantes.
- Descansem agora! A gente termina o serviço! – Gritou o anão Amgram, sinalizando com as mãos enquanto guiava seu pelotão pela cidade.
Todos estavam nas ameias nesse momento, retomando o fôlego depois do duro combate que tiveram. Estavam aliviados por seu papel ter chegado ao fim e a chuva que caía parecia lavar suas almas e levar toda preocupação e negatividade embora. Silverhawks não paravam de passar pelo portão e o grupo se divertia com a perspectiva do desespero dos orcs que seriam esmagados por suas forças. A cidade seria retomada, graças a eles.

2 comentários:

  1. Rick errou 8 ataques em cima do meu personagem é um marco na historia.
    Mesmo o mestre ter achado errado eu pedir pra a elfa abrir o portão junto a mim, foi por confiar no grupo e achar que era a decisão certa a tomar, temendo que a cavalaria que entrara no primeiro portão fosse dizimada e mais orcs surgissem e nos aniquilando, dai a decisão de deixar a cavalaria entrar.
    Ansioso para próxima sessão e o dialogo apos tudo se encerrar!
    Palavras de Arannis: Meus amigos, sairmos vitoriosos, agradeço a cada um de vocês ajuda e que nosso grupo possa se unir ainda mais. Que Fleara me proteja hoje e sempre!

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  2. Ficou top Rick, agora é esperar a próxima sessão e ver o que no aguarda!

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